Eugênia Feitosa

Isso é sobre uma garota chamada Eugênia Feitosa
(meu Deus, como ela é gostosa!)
Garota simples, sempre uma boa filha,
embora na vida social fosse como uma ilha.
Amigos ela quase não tinha,
pois sempre foi muito certinha.

Um dia, ela foi trabalhar num banco.
Tímida, não queria, teve que ir no tranco.
Lá quase a mataram de vergonha,
piadas eram tantas que vivia tristonha.

Acho que direito não a descrevi,
embora jamais esqueça o dia em que a vi:
Tímida, recatada, sem graça, sem jeito,
mas com um sorriso que era mais que perfeito.
Dona de uma beleza sem igual,
nada tinha de artificial.
Sua pele era de uma brancura
capaz de me levar à loucura.
Seus olhos, cor de mel,
pareciam ter sido feitos no Céu.
Seu cabelo, de cor indecisa
a todos paralisa.

Um dia ela se apaixonou.
Coitada, nunca antes amou!
Apaixonou-se por um cara que não presta,
logo ela, uma mulher tão honesta.
Apaixonou-se por um tal João Octávio,
cara, ruim, parecia um corsário.
A todas ele iludia,
sem se importar com o mal que isso trazia.

Ah, mas o amor é mágico:
de algo que poderia ser trágico,
veio uma união quase perfeita,
pois por seu coração ela foi eleita.
Ele, que antes era um canalha,
pra fazê-la feliz agora trabalha.
Ele, que rimas não conhecia
se viu fazendo elegias.
Ele, que nunca recusou companhia noturna
parecia agora dormir numa urna.

E quanto a nossa Eugênia Feitosa?
(meu Deus, ela é maravilhosa!)
Dona de uma beleza infinita,
não era mais como uma eremita.
Começou a sair pra festas,
embora antes, achasse isso as trevas.
Passou a arrumar o cabelo,
com a beleza teve mais zelo.
Às cantadas de João ouvia com um sorriso,
pois, pra ela, ficar com ele era preciso.

Se esse romance vai dar certo?
Ah, deixa quieto!
Isso só o tempo poderá dizer,
nada há que possamos fazer.

Links para outros textos…

Como o post de ontem ficou meio “fuleragem” e eu não estou no ânimo pra escrever nada que preste, deixo abaixo links para textos meus ou de outras pessoas que recomendo. Lá vai:

Viva

Os meus mais sinceros sentimentos

Vida e Amores de João 8

Belo, doce e sem sentido

Ressaca

Saudade

Anipnia, Espertina

O Derrotado

O Casamento da Minha Dama

Sua mensagem foi enviada com SUCESSO

Jake & June (ou: Outra História de Dias Chuvosos)

Sobre o que aconteceu com Jake

Reminiscências de uma chuva

Versos que não deveriam existir

Para Padmé, um rondel: Tempo

Esta noite foi esquisita. Tomei meus dois comprimidos (dois antidepressivos) e fui dormir. Sonhos estranhos surgiram. Em um deles, eu estava com uma rede de caçar borboletas, catando versos de um poema que era levado pelo vento. De tal poema, ao acordar, só lembrei do título (o que está acima), dos dois versos iniciais que se repetem ciclicamente e de todas as rimas do final de cada verso. Acordei, anotei. Agora, tive que reinventar o corpo do poema, mas ainda assim deu um rondel quase perfeito (tive apenas que alterar a terminação da para das e acrescentar um texto extra na última estrofe). Mas, uma vez, ao sair com meu amigo Allan Xenofonte, acabei, bêbado cego e após provocação por parte dele para que fizesse uma poesia ao texto meloso para Padmé, proferindo o seguinte, do qual um trecho foi anotado por nosso amigo Frank: “E que fodam-se a rima e a métrica, nada melhor que Padmé” (mais sobre isso aqui). Por isso, acho que estou perdoado por não seguir fielmente o esquema do rondel. Bem, deixando de enrolada, aqui vai, para Padmé, um rondel: Tempo.

Tenho em alta conta o tempo que passei contigo
talvez tenham sido os melhores dias de minha vida
pois, para meus problemas, tu eras abrigo
mesmo quando ainda eras comprometida.

Ao teu lado, força achava para enfrentar qualquer inimigo.
Pena que acabei por te deixar desiludida.
Tenho em alta conta o tempo que passei contigo
talvez tenham sido os melhores dias de minha vida

Não te tenho mais, mas por teu amor não mendigo.
Deliciosas foram as noites contigo divididas,
mas o passado não serve para guiar o futuro de nossas vidas.
Hoje sei que não passo de um amigo,
(mesmo assim) tenho em alta conta o tempo que passei contigo

João Octávio
surpreso por se lembrar tão bem
de um sonho sobre sua ex-namorada

Coisas simples (um rondel)

Pra ser feliz, pouco é necessário:
Basta uma sombra, uma rede e você ao lado.
Pois aquele a quem você ama é mais sortudo que um milionário
E quem quer e não te tem, sofre mais que cachorro abandonado.

Não existe nada mais bonito que uma criança no berçário,
Você, sorrindo ao lado, e eu olhando tudo embasbacado
Pra ser feliz, pouco é necessário:
Basta uma sombra, uma rede e você ao lado.

Ah… Mas se um dia você me deixar, levarei uma vida de celibatário…
Festas, amigos, bebidas, mulheres, nada disso será do meu agrado!
Como um animal acuado, percorrerei a vida tal qual um derrotado.
Pra você voltar pra mim, largaria até meu emprego de escriturário
(pois) Pra ser feliz, pouco é necessário.

– João Octávio

(procurando coragem pra escrever um conto)

Vida e Amores de João 8

Essa é a história de João 8
(escrito assim, sem traço, aspas ou qualquer outro sinal gráfico)
Uma história boa, divertida e com um toque trágico
Embora tudo não possamos te contar pra não te deixar tresnoito.

João 8 nasceu numa quinta,
uma quinta qualquer, indistinta.
Veio sem ter sido chamado,
pelo pais, não fora desejado.
Mesmo assim, deixou seu legado.

João 8 foi crescendo, sempre franzino.
Muita falta de exercício, imagino.
O que importa é que nunca foi bom dançarino.
Na formatura do ABC pisava no pé de sua dama.
Por não saber dançar, tanto demorou a levar mulher pra cama,
o que lhe rendeu um vício incurável por cerveja da brahma.

Dizem que ele se apaixonou cedo demais.
Um linda menina, que lhe tirou o sono e a paz.
Por ela, ele nutriu sentimentos ideais,
e por causa disso quase não foi feliz nunca mais.

Mais de dez anos ele levou pra esquecer
(o sentimento não queria arrefecer!)
Mesmo assim ele se forçou a viver
embora sem ela, nada quisesse ter.

Enfim, ele a esqueceu
(e que trabalho isso deu!),
mas só pra se apaixonar novamente.
Morena linda, muito decente,
roubou o coração de nosso amigo num repente.

Juras de eterno amor ele fez.
Poemas construiu com inigualável brilhantez,
doido pra de sua morena ver a nudez,
ela, porém, nesse ponto logo não o satisfez.
Queria provas de que ele não a abandonaria
Tão logo seu corpo deixasse de ter serventia.

Felizes eles eram.
Até um filho tiveram!
Mas o mundo se pôs no caminho,
o tempo que passavam juntos passou a ser daninho.
Então eles se separaram,
mas com a amizade não acabaram.

Outra noite, outra brahma.
E, olha só, eis que novamente ele ama!
Outra morena lhe chamou a atenção
e de novo ele entregou seu coração.

Com ela, pouco ele viveu,
porém muito se deu.
Feliz ele foi como nunca antes,
pois ambos se divertiam como bacantes.

Porém, o amor chegou ao fim.
Embora ela lhe fosse uma alma afim.

Com o coração partido,
ele se sentia perdido.
Jamais iria ter outro amor tão desmedido.

De dor ele gemia,
de frio tremia.
Queria voltar pra boemia,
mas seus pecados ele remia.

Outra noite, outra menina ele encontrou.
E, adivinhem só, a ela ele amou.
Alta, branca, bonita,
logo se tornou sua favorita.

Agora eu me calo.
Sei que a um verdadeiro poeta não me igualo.
Paro por não ter mais o que contar.
Pois sei que já estás cheio de histórias sobre sofrer e amar.

– João Octávio
adorando brincar com as rimas

Rimar? Amar?

Eu não sei rimar,
métrica nunca usei.
Eu só sei amar.
Eu não sei rimar,
embora à tua beleza quisesse cantar.
De brincar com as palavras já cansei,
eu não sei rimar,
métrica nunca usei.

– João Octávio
Tentando fazer um triolé que preste

versos que não deveriam existir…

Queria que as coisas fossem diferentes,
queria poder ficar com ela pra sempre.
Mas a vida não é feita de ilusão.
Vou morrer na solidão.

Ah, ela me fez tão feliz…
Em seus braços a vida parecia ter sentido…
Pena que Deus assim não quis.
Sinto meu coração partido!

O sabor de seus beijos,
o calor de sua pele…
Sem eles, nada a viver me impele!
Hei de padecer por tais desejos?

xxxxx

Aqui estou, de joelhos,
sem máscaras ou personagens pra me esconder por trás.
Aqui estou, de joelhos,
com uma dor que é só minha e de ninguém mais.

– João Octávio
querendo se afogar no fundo de um copo…

Para Padmé

Mas Padmé me mostrou aquilo que eu não ousava sonhar. Aquilo que eu não sonhava ser possível, me mostrou que todos os textos melosos, por pior que sejam, não seriam realidade.

Estou, além do possível, perdidamente apaixonado.

E que fodam-se a rima e a métrica, nada melhor que Padmé.


– J. Octávio,
noite de domingo, 9/3/2008,
totalmente embriagado.

Desilusões

Onde está ela?
Sinto-me doente.
Quem se importa?
Meus amigos, por onde andam?
Acho que não tenho nenhum.

Onde está ela?
A solidão me acompanha.
A morte estende-me a mão.
Sou fraco e pequeno, não a alcanço.

Onde está ela?
A amargura me sorri e diz:
“Já foi embora”.

Onde está ela?
O desespero apossa-se de meu leito.
Em breve a febre fará as perguntas perderem o sentido.

Onde está ela?
Alguém me sorri:
“Anime-se! Não pode chover o tempo todo!”
Deus, esse é você?

Onde está ela?
Enquanto a febre,
Paixão e doença me consomem,
Ouço uma voz:
“Tolo! Você sofre enquanto ela se diverte com outros!”
Não me surpreendo ao ver que é a razão que agora me fala.

Agora sei onde ela está.
Mas não sei se gostei da descoberta.

Deus, talvez você esteja certo.
Pode não chover o tempo todo,
Mas os estragos causados pela tempestade são enormes.

– João Octávio Anderson Trindade Boaventura –

Reminiscências de uma chuva

Quando chove, em que penso?
Penso em nós três numa mesa, nos divertindo.
Penso no seu belo sorriso e em seu olhar.
Penso na cerveja gelada que tanto te fazia sorrir.

Quando chove, em que penso?
Penso no caminho para a casa de sua amiga.
Penso nas fotos que tentamos, bêbados, tirar.
Penso em meu pobre celular que, pela primeira vez, caiu.
Penso no arranhão que ficou pra lembrar da noite.
E, acima de tudo, penso que não pensava em nada disso na hora.
Pois você estava perto, sentia seu cheiro, bebia seu sorriso.
O mundo, pobre mundo, simplesmente parecia não importar nada.

Quando chove, em que penso?
Penso no caminho para sua casa.
Penso na culpa que te afligiu.
Penso nos motivos que te fizeram chorar.
Penso nas tentativas inúteis que fiz de te consolar.
Penso que quis me aproveitar.

Quando chove, em que penso?
Penso no horário e percebo que não lembrava sequer que o tempo existia.
Penso em chegar na sua porta.
Penso na maneira como você chorava e de tentar te abraçar.
Penso no beijo que me deste (o melhor que já ganhei).
Penso nos motivos que te fizeram me beijar.
E penso também no porquê de você tanto chorar.
Mas, acima de tudo, penso no prazer que me propiciaste.
Penso em como me senti feliz
E penso como quis que durasse para sempre aqueles beijos.

Quando chove, em que penso?
Penso naquela noite, tempos atrás, em que tudo ocorreu.
Penso lembrar que choveu levemente durante quase toda a noite.
Penso no sentimento que cultivava no meu coração.
Penso em quanto ele cresceu após ser regado com a chuva, tuas lágrimas e beijos.

Quando chove, em que penso?
Penso em tudo que passei ao seu lado.
Penso em quão boa a chuva foi para mim.
Penso que adoraria se chovesse toda noite.
E penso que seria ótimo se toda chuva terminasse assim.

E quando não chove, em que penso?
Penso que não importa o clima.
Penso que te amar é pra todas as estações.
Penso que seria feliz o ano inteiro se você estivesse ao meu lado.

Enquanto escrevo, em que penso?
Penso que te amo.
Mas que te amo tanto que chego a me passar.
Me passo tanto que tento ser poeta.

– João Octávio A. T. Boaventura