Reminiscências de uma chuva

Quando chove, em que penso?
Penso em nós três numa mesa, nos divertindo.
Penso no seu belo sorriso e em seu olhar.
Penso na cerveja gelada que tanto te fazia sorrir.

Quando chove, em que penso?
Penso no caminho para a casa de sua amiga.
Penso nas fotos que tentamos, bêbados, tirar.
Penso em meu pobre celular que, pela primeira vez, caiu.
Penso no arranhão que ficou pra lembrar da noite.
E, acima de tudo, penso que não pensava em nada disso na hora.
Pois você estava perto, sentia seu cheiro, bebia seu sorriso.
O mundo, pobre mundo, simplesmente parecia não importar nada.

Quando chove, em que penso?
Penso no caminho para sua casa.
Penso na culpa que te afligiu.
Penso nos motivos que te fizeram chorar.
Penso nas tentativas inúteis que fiz de te consolar.
Penso que quis me aproveitar.

Quando chove, em que penso?
Penso no horário e percebo que não lembrava sequer que o tempo existia.
Penso em chegar na sua porta.
Penso na maneira como você chorava e de tentar te abraçar.
Penso no beijo que me deste (o melhor que já ganhei).
Penso nos motivos que te fizeram me beijar.
E penso também no porquê de você tanto chorar.
Mas, acima de tudo, penso no prazer que me propiciaste.
Penso em como me senti feliz
E penso como quis que durasse para sempre aqueles beijos.

Quando chove, em que penso?
Penso naquela noite, tempos atrás, em que tudo ocorreu.
Penso lembrar que choveu levemente durante quase toda a noite.
Penso no sentimento que cultivava no meu coração.
Penso em quanto ele cresceu após ser regado com a chuva, tuas lágrimas e beijos.

Quando chove, em que penso?
Penso em tudo que passei ao seu lado.
Penso em quão boa a chuva foi para mim.
Penso que adoraria se chovesse toda noite.
E penso que seria ótimo se toda chuva terminasse assim.

E quando não chove, em que penso?
Penso que não importa o clima.
Penso que te amar é pra todas as estações.
Penso que seria feliz o ano inteiro se você estivesse ao meu lado.

Enquanto escrevo, em que penso?
Penso que te amo.
Mas que te amo tanto que chego a me passar.
Me passo tanto que tento ser poeta.

— João Octávio A. T. Boaventura

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