Para Padmé, um rondel: Tempo

Esta noite foi esquisita. Tomei meus dois comprimidos (dois antidepressivos) e fui dormir. Sonhos estranhos surgiram. Em um deles, eu estava com uma rede de caçar borboletas, catando versos de um poema que era levado pelo vento. De tal poema, ao acordar, só lembrei do título (o que está acima), dos dois versos iniciais que se repetem ciclicamente e de todas as rimas do final de cada verso. Acordei, anotei. Agora, tive que reinventar o corpo do poema, mas ainda assim deu um rondel quase perfeito (tive apenas que alterar a terminação da para das e acrescentar um texto extra na última estrofe). Mas, uma vez, ao sair com meu amigo Allan Xenofonte, acabei, bêbado cego e após provocação por parte dele para que fizesse uma poesia ao texto meloso para Padmé, proferindo o seguinte, do qual um trecho foi anotado por nosso amigo Frank: “E que fodam-se a rima e a métrica, nada melhor que Padmé” (mais sobre isso aqui). Por isso, acho que estou perdoado por não seguir fielmente o esquema do rondel. Bem, deixando de enrolada, aqui vai, para Padmé, um rondel: Tempo.

Tenho em alta conta o tempo que passei contigo
talvez tenham sido os melhores dias de minha vida
pois, para meus problemas, tu eras abrigo
mesmo quando ainda eras comprometida.

Ao teu lado, força achava para enfrentar qualquer inimigo.
Pena que acabei por te deixar desiludida.
Tenho em alta conta o tempo que passei contigo
talvez tenham sido os melhores dias de minha vida

Não te tenho mais, mas por teu amor não mendigo.
Deliciosas foram as noites contigo divididas,
mas o passado não serve para guiar o futuro de nossas vidas.
Hoje sei que não passo de um amigo,
(mesmo assim) tenho em alta conta o tempo que passei contigo

João Octávio
surpreso por se lembrar tão bem
de um sonho sobre sua ex-namorada

Coisas simples (um rondel)

Pra ser feliz, pouco é necessário:
Basta uma sombra, uma rede e você ao lado.
Pois aquele a quem você ama é mais sortudo que um milionário
E quem quer e não te tem, sofre mais que cachorro abandonado.

Não existe nada mais bonito que uma criança no berçário,
Você, sorrindo ao lado, e eu olhando tudo embasbacado
Pra ser feliz, pouco é necessário:
Basta uma sombra, uma rede e você ao lado.

Ah… Mas se um dia você me deixar, levarei uma vida de celibatário…
Festas, amigos, bebidas, mulheres, nada disso será do meu agrado!
Como um animal acuado, percorrerei a vida tal qual um derrotado.
Pra você voltar pra mim, largaria até meu emprego de escriturário
(pois) Pra ser feliz, pouco é necessário.

— João Octávio

(procurando coragem pra escrever um conto)